segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Breve História da Qualidade

Uma Breve História da Qualidade

Falamos tanto em Qualidade hoje em dia! Na verdade exigimos Qualidade em praticamente tudo: nos produtos, nos serviços, na vida… Sempre foi assim? Bem, não exatamente… O homem sempre desejou qualidade, mas não sabia...

O conceito de “qualidade”, do latim qualitas, apareceu pela primeira vez historicamente na obra “Estudo das Formas Geométricas” através do filósofo Aristóteles (384-322 AC), porém até hoje não se chegou a um mesmo consenso sobre seu significado, pois qualidade é também um conceito abstrato, varia da percepção de cada um.

A preocupação com a qualidade na indústria nasceu no início do século XX, quando começou a produção em massa, e junto com ela os problemas em massa sobre qualidade. Nesta época, a qualidade queria dizer, claramente, atendimento às especificações do produto. Mas, como manter ou assegurar que os produtos fossem sempre adequados e de qualidade igual? Simples: alguém tem de conferir se o produto está bom ou não antes que seja passado adiante. Esse cara é o Inspetor de Qualidade, figurinha fácil em 11 entre 10 linhas de produção nessa época, que foi a primeira fase da Qualidade. Praticamente não existia Departamento de Qualidade, mas muitos inspetores subordinados ao Gerente da Fábrica. O resultado era bom? Nem sempre. Passavam muitos defeitos que só eram descobertos pelo cliente.

A partir de 1910 começou-se a enxergar fabricação e inspeção como operações potencialmente separáveis. Na década seguinte, a Western Electric, fabricante de equipamentos de telecomunicações, criou um departamento de controle de qualidade diretamente subordinado à direção, atuando em paralelo ao departamento de fabricação.

Trabalhava na Western Electric um matemático e estatístico de nome Walter A. Shewhart, que percebeu que quem gerava a qualidade não eram os inspetores, mas o processo produtivo! Ele foi responsável pela introdução das técnicas de estatística sobre o processo (CEP), com técnicas de amostragem (de Dodge e Roming). Assim, aparecia o Controle de Qualidade. Estudos, correções, mudanças… e os processos foram melhorando e a qualidade melhorava por tabela, mas nem tanto assim.
W. Edwards Deming era discípulo de Shewhart quando, em 1938, utilizou pela primeira vez, métodos estatísticos de amostragem no recenseamento feito pelo governo norte-americano.

Até a década de 40 não mudou muita coisa, aí tivemos a Segunda Grande Guerra, a indústria bélica precisava de produtos com MUITA Qualidade. Já pensou o cara lá no meio da trincheira, puxava a trava de uma granada e ela não saia ou explodia antes da hora? Desta forma, os Estados Unidos promoveram a ênfase no treinamento da indústria fornecedora do exército norte-americano, incentivando o uso dos métodos estatísticos de Shewhart para garantir a qualidade exigida pelos produtos militares: fazer bem o serviço, montar bem os mísseis, tanques, a bomba atômica...

Alguma coisa boa tinha que acontecer nessa fase ruim da história da humanidade, e pelo menos na história da Qualidade aconteceu. Ainda tivemos Deming que criou o “Ciclo PDCA”, ou Ciclo de Deming, uma idéia genial que trazia o conceito de melhoria contínua!
Após a guerra, os departamentos de controle de qualidade nas empresas e o uso dos procedimentos estatísticos no controle da qualidade estavam praticamente implantados nas indústrias do mundo todo. E começava também a ser adotado o controle da qualidade orientado para os processos, englobando toda a produção, desde o projeto até o acabamento.

O acontecimento mais marcante do pós-guerra foi à revolução japonesa na área da qualidade. As origens dessa revolução remontam a 1950, quando Deming, em missão oficial no Japão, foi convidado a proferir uma série de palestras e cursos para empresários japoneses.

As conferências de Deming eram sobre métodos estatísticos, principalmente sobre as técnicas desenvolvidas por Shewhart. Seu trabalho foi decisivo para que o movimento da qualidade acontecesse no Japão.
Joseph M. Juran também havia sido discípulo de Shewhart e trabalhara com Deming durante a guerra utilizando métodos estatísticos na área da qualidade. Em 1954 foi convidado a ir ao Japão para complementar o trabalho lá iniciado por Deming. Suas palestras eram relacionadas com a gestão da qualidade.

Outra figura ilustre na revolução japonesa da qualidade foi Kaoru Ishikawa, "pai" dos chamados CCQs - Círculos de Controle da Qualidade, que participou ativamente dos trabalhos da JUSE - Union of Japanese Scientists and Engineers (entidade sem fins lucrativos criada logo após a guerra), que é hoje o símbolo da qualidade no Japão.

Nos Estados Unidos, em 1951, Armand V. Feigenbaum, engenheiro, escreveu o livro "Total Quality Control: engineering and management" e criou a sigla TQC, um conceito novo que ampliava as responsabilidades dos órgãos de controle de qualidade nas empresas.

No início da década de 60, Philip B. Crosby, que trabalhava em uma empresa fabricante de equipamento bélico para o governo norte-americano, criou o conceito de "zero-defeito" (eliminação completa das operações com erros, reduzindo seu índice a zero), considerado por muitos um programa de motivação.

Outros fatos que marcaram a história da qualidade no pós-guerra foram:
  •     a disseminação do conceito de que a qualidade deveria estender-se a todas as áreas da empresa, incluindo marketing, vendas e administração (Japão, início da década de 60);
  •    o desenvolvimento dos Círculos de Controle da Qualidade, fortemente incentivado por Ishikawa (Japão, a partir de 1962);
  •     as inovações introduzidas pela Toyota, indústria automobilística japonesa, entre elas a participação dos empregados nos lucros, a atribuição de maior responsabilidade e poder de decisão aos operários e o estímulo ao trabalho em equipe;
  •     a criação, pelos japoneses, de técnicas de manufatura como o kanban, o kaizen e o just-in-time, e o uso de técnicas que já existiam há anos e foram sendo resgatadas do esquecimento, como o controle estatístico de processos e o brainstorming.

Em meados da década de 70, como resultado da evolução da qualidade na indústria japonesa, esta despontava como uma ameaça real à hegemonia norte-americana no campo da qualidade: principalmente os automóveis e os televisores fabricados no Japão mostravam-se nitidamente superiores aos seus similares norte-americanos em qualidade, preços e custos de assistência técnica e manutenção.

Na década de 80, chegamos ao que podemos chamar de “Era das Normas”, introduzindo a Fase da Gestão da Qualidade. Começando com a norma inglesa BS-5750, nasceram em 1987 às normas da família ISO 9000, entre outras normas que definem um modelo para a gestão da qualidade.

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