quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O que causa os problemas...

No nosso cotidiano buscamos fazer a coisa certa e fazer certa a coisa. É para isso que acordamos, saímos de nossas casas e viemos para a empresa.
Mas, vocês sabiam que para que a coisa saia certa é necessário controlar todos os fatores que influenciam o seu desempenho? Para que um trabalho ou produto seja feito com Qualidade, seis fatores que influenciam na sua fabricação, elaboração ou formação precisam ser controlados, observados e executados de forma correta. Mas, quais são estes Seis Fatores? Vejamos atentamente o diagrama abaixo?

Temos a “COISA” que pode ser qualquer atividade, serviço ou um produto que estiver sendo fabricado. Pois bem, para que a “COISA” seja feita com Qualidade e conforme o que foi inicialmente solicitado tem que controlar os Seis Meios pelo qual ela é realizada. São eles:

Matéria-Prima: é o estado inicial de um produto, antes de passar por um processo de transformação. Pode ser tanto o papelão, tinta, cola, plástico, etc., como também pode ser uma informação, um requisito, etc. Aqui é o memento de conhecer bem como é esta matéria prima para saber controlar, trabalhar com ela, objetivando conseguir fazer a “COISA”.

Máquina: meio em que algo é processado, normalmente a matéria prima, e se transforma na “COISA” ou parte dela. Por exemplo, a matéria prima que passa pelo riscador que faz os vincos da altura da caixa, os requisitos do cliente que são cadastrados no sistema informatizado e viram Pedido de Venda, etc.

Método: é a definição de como a “COISA” deve ser feita. Geralmente é feita uma descrição documentada, onde está definida a melhor forma de se fazer. E como sabemos a melhor forma? O melhor método é aquele que leva o menor tempo possível e tem o menor custo. Entenderam? O menor tempo possível, e não o mais rápido, pois a pressa é inimiga da perfeição, e inimiga da Qualidade...

Meio Ambiente: é o ambiente onde trabalhamos. Está ligada a infra-estrutura, ambiente de trabalho, segurança, cuidados com a natureza, etc. É onde a “COISA” acontece e tem influência sobre ela.

Meio de Controle: são as medições realizadas nas etapas dos processos que precisam ser controlados para garantir que estejam cumprindo o que foi definido no “MÉTODO”. Com os controles poderemos ver se a “COISA” está sendo feita corretamente.

Mão de Obra (Pessoas): a parte mais importante da organização, que faz com que uma empresa tenha vida e funcione. As pessoas são parte fundamental para que a “COISA” seja feita, pois são as pessoas que fazer a “COISA” acontecer. Por isso que temos que dar uma atenção especial para elas, ainda mais numa indústria como a nossa que depende das pessoas para que o serviço e o produto sejam feitos com Qualidade. O ser humano é um animal racional, totalmente social, que tem suas complexidades e precisa ser bem direcionado para fazer a “COISA” de forma que, no final, o cliente receberá o que queria e ficará satisfeito. Por isso, iremos trabalhar bastante esta questão durante todo o curso.

Assim, CONTROLANDO cada um destes meios, conseguiremos GARANTIR a Qualidade dos produtos. Isto mesmo, a Qualidade não pode ser controlada, mas ela aparece quando controlamos os processos e os meios que interagem com eles.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Os 8 princípios da Qualidade, a base de tudo

Os 8 princípios da Qualidade, a Base de Tudo

A série ISO 9000 trazem requisitos para criação de um Sistema de Gestão da Qualidade. A Gestão da Qualidade pode ser definida como sendo qualquer atividade coordenada para dirigir e controlar uma organização no sentido de possibilitar a melhoria de produtos e/ou serviços com vistas a garantir a completa satisfação das necessidades dos clientes relacionadas ao que está sendo oferecido, ou ainda, a superação de suas expectativas.

Desta forma, a Gestão da Qualidade não precisa, necessariamente, implicar na adoção de alguma certificação, embora este seja o meio mais comum e o mais difundido, porém, sempre envolve a observância de alguns conceitos básicos, ou princípios de Gestão da Qualidade, que podem e devem ser observados por qualquer organização. Os 8 princípios da Qualidade que iremos apresentar é a base de qualquer Sistema de Gestão da Qualidade; aliás, é a base da própria série ISO 9000, e, por isso, deve fazer parte da empresa e deve estar incorporada às atividades de cada processo. Vamos agora conhecer cada um destes 8 princípios:

Foco no cliente: qualquer organização tem como motivo de sua existência a satisfação de determinada necessidade de seu cliente, seja com o oferecimento de um produto e/ou serviço. Portanto, o foco no cliente é um princípio fundamental da Gestão da Qualidade que deve sempre buscar o atendimento pleno das necessidades do cliente sejam elas atuais ou futuras e mesmo a superação das expectativas deste;

Liderança: cabe aos líderes em uma empresa criar e manter um ambiente propício para que os envolvidos no processo desempenhem suas atividades de forma adequada e que se sintam motivadas e comprometidas a atingir os objetivos da organização;

Envolvimento das pessoas: toda empresa é formada por pessoas que, em conjunto, constituem a essência da organização. Portanto, a Gestão da Qualidade deve compreender o envolver a todos, o que possibilitará o uso de habilidades sadias para o benefício da organização;

Abordagem por processos: a abordagem por processos permite uma visão sistêmica do funcionamento de toda a empresa, possibilitando o alcance mais eficiente dos resultados desejados;

Abordagem sistêmica: a abordagem sistêmica na Gestão da Qualidade permite que os processos inter-relacionados sejam identificados, entendidos e gerenciados de forma a melhorar o desempenho da empresa como um todo;

Melhoria contínua: para que a organização consiga manter a qualidade de seus produtos atendendo suas necessidades atuais e futuras e encantando seu cliente (excedendo suas expectativas), é necessário que ela tenha seu foco voltado sempre para a melhoria contínua do seu processo, produto e/ou serviço;

Abordagem factual para a tomada de decisão: todas as decisões dentro de um Sistema de Gestão de Qualidade devem se tomadas com base em fatos, dados concretos e análise de informações, o que implica na implementação e manutenção de um sistema eficiente de monitoramento;

Benefícios mútuos nas relações com fornecedores: a organização deve buscar o relacionamento de benefício mútuo com seus fornecedores através do desenvolvimento de alianças estratégicas, parcerias e respeito mútuo, pois o trabalho em conjunto de ambos facilitará a criação de valor.

Breve História da Qualidade

Uma Breve História da Qualidade

Falamos tanto em Qualidade hoje em dia! Na verdade exigimos Qualidade em praticamente tudo: nos produtos, nos serviços, na vida… Sempre foi assim? Bem, não exatamente… O homem sempre desejou qualidade, mas não sabia...

O conceito de “qualidade”, do latim qualitas, apareceu pela primeira vez historicamente na obra “Estudo das Formas Geométricas” através do filósofo Aristóteles (384-322 AC), porém até hoje não se chegou a um mesmo consenso sobre seu significado, pois qualidade é também um conceito abstrato, varia da percepção de cada um.

A preocupação com a qualidade na indústria nasceu no início do século XX, quando começou a produção em massa, e junto com ela os problemas em massa sobre qualidade. Nesta época, a qualidade queria dizer, claramente, atendimento às especificações do produto. Mas, como manter ou assegurar que os produtos fossem sempre adequados e de qualidade igual? Simples: alguém tem de conferir se o produto está bom ou não antes que seja passado adiante. Esse cara é o Inspetor de Qualidade, figurinha fácil em 11 entre 10 linhas de produção nessa época, que foi a primeira fase da Qualidade. Praticamente não existia Departamento de Qualidade, mas muitos inspetores subordinados ao Gerente da Fábrica. O resultado era bom? Nem sempre. Passavam muitos defeitos que só eram descobertos pelo cliente.

A partir de 1910 começou-se a enxergar fabricação e inspeção como operações potencialmente separáveis. Na década seguinte, a Western Electric, fabricante de equipamentos de telecomunicações, criou um departamento de controle de qualidade diretamente subordinado à direção, atuando em paralelo ao departamento de fabricação.

Trabalhava na Western Electric um matemático e estatístico de nome Walter A. Shewhart, que percebeu que quem gerava a qualidade não eram os inspetores, mas o processo produtivo! Ele foi responsável pela introdução das técnicas de estatística sobre o processo (CEP), com técnicas de amostragem (de Dodge e Roming). Assim, aparecia o Controle de Qualidade. Estudos, correções, mudanças… e os processos foram melhorando e a qualidade melhorava por tabela, mas nem tanto assim.
W. Edwards Deming era discípulo de Shewhart quando, em 1938, utilizou pela primeira vez, métodos estatísticos de amostragem no recenseamento feito pelo governo norte-americano.

Até a década de 40 não mudou muita coisa, aí tivemos a Segunda Grande Guerra, a indústria bélica precisava de produtos com MUITA Qualidade. Já pensou o cara lá no meio da trincheira, puxava a trava de uma granada e ela não saia ou explodia antes da hora? Desta forma, os Estados Unidos promoveram a ênfase no treinamento da indústria fornecedora do exército norte-americano, incentivando o uso dos métodos estatísticos de Shewhart para garantir a qualidade exigida pelos produtos militares: fazer bem o serviço, montar bem os mísseis, tanques, a bomba atômica...

Alguma coisa boa tinha que acontecer nessa fase ruim da história da humanidade, e pelo menos na história da Qualidade aconteceu. Ainda tivemos Deming que criou o “Ciclo PDCA”, ou Ciclo de Deming, uma idéia genial que trazia o conceito de melhoria contínua!
Após a guerra, os departamentos de controle de qualidade nas empresas e o uso dos procedimentos estatísticos no controle da qualidade estavam praticamente implantados nas indústrias do mundo todo. E começava também a ser adotado o controle da qualidade orientado para os processos, englobando toda a produção, desde o projeto até o acabamento.

O acontecimento mais marcante do pós-guerra foi à revolução japonesa na área da qualidade. As origens dessa revolução remontam a 1950, quando Deming, em missão oficial no Japão, foi convidado a proferir uma série de palestras e cursos para empresários japoneses.

As conferências de Deming eram sobre métodos estatísticos, principalmente sobre as técnicas desenvolvidas por Shewhart. Seu trabalho foi decisivo para que o movimento da qualidade acontecesse no Japão.
Joseph M. Juran também havia sido discípulo de Shewhart e trabalhara com Deming durante a guerra utilizando métodos estatísticos na área da qualidade. Em 1954 foi convidado a ir ao Japão para complementar o trabalho lá iniciado por Deming. Suas palestras eram relacionadas com a gestão da qualidade.

Outra figura ilustre na revolução japonesa da qualidade foi Kaoru Ishikawa, "pai" dos chamados CCQs - Círculos de Controle da Qualidade, que participou ativamente dos trabalhos da JUSE - Union of Japanese Scientists and Engineers (entidade sem fins lucrativos criada logo após a guerra), que é hoje o símbolo da qualidade no Japão.

Nos Estados Unidos, em 1951, Armand V. Feigenbaum, engenheiro, escreveu o livro "Total Quality Control: engineering and management" e criou a sigla TQC, um conceito novo que ampliava as responsabilidades dos órgãos de controle de qualidade nas empresas.

No início da década de 60, Philip B. Crosby, que trabalhava em uma empresa fabricante de equipamento bélico para o governo norte-americano, criou o conceito de "zero-defeito" (eliminação completa das operações com erros, reduzindo seu índice a zero), considerado por muitos um programa de motivação.

Outros fatos que marcaram a história da qualidade no pós-guerra foram:
  •     a disseminação do conceito de que a qualidade deveria estender-se a todas as áreas da empresa, incluindo marketing, vendas e administração (Japão, início da década de 60);
  •    o desenvolvimento dos Círculos de Controle da Qualidade, fortemente incentivado por Ishikawa (Japão, a partir de 1962);
  •     as inovações introduzidas pela Toyota, indústria automobilística japonesa, entre elas a participação dos empregados nos lucros, a atribuição de maior responsabilidade e poder de decisão aos operários e o estímulo ao trabalho em equipe;
  •     a criação, pelos japoneses, de técnicas de manufatura como o kanban, o kaizen e o just-in-time, e o uso de técnicas que já existiam há anos e foram sendo resgatadas do esquecimento, como o controle estatístico de processos e o brainstorming.

Em meados da década de 70, como resultado da evolução da qualidade na indústria japonesa, esta despontava como uma ameaça real à hegemonia norte-americana no campo da qualidade: principalmente os automóveis e os televisores fabricados no Japão mostravam-se nitidamente superiores aos seus similares norte-americanos em qualidade, preços e custos de assistência técnica e manutenção.

Na década de 80, chegamos ao que podemos chamar de “Era das Normas”, introduzindo a Fase da Gestão da Qualidade. Começando com a norma inglesa BS-5750, nasceram em 1987 às normas da família ISO 9000, entre outras normas que definem um modelo para a gestão da qualidade.